Logo: O Caderno de Aimé-Adrien Taunay - Histórias, descobertas e percursos
realização: Logo: IHF - Instituto Hercules Florence
apoio: Logo: Museu Paulista
Logo: O Caderno de Aimé-Adrien Taunay - Histórias, descobertas e percursos

O CADERNO

Transcrição e tradução dos textos

A transcrição dos textos do caderno de Aimé-Adrien Taunay foi empreendida pelo historiador Thierry Thomas e a tradução pela professora doutora Marcia Valéria Martinez de Aguiar.

Segundo o transcritor, o estado do manuscrito muitas vezes dificultou a transcrição do texto. Existem trechos em que a leitura foi estimada, outros onde foi possível identificar apenas algumas letras de uma palavra e casos em que ela se fez impossível.

Outro aspecto que dificultou a leitura do texto foi a peculiaridade da sintaxe de Aimé-Adrien Taunay, assim como seu modo de usar a pontuação, as maiúsculas e as minúsculas. Além disso, a leitura desse caderno de notas exige um esforço de pesquisa, para que se possam identificar as localidades que pontuam o percurso de Adrien Taunay, os animais, plantas e pessoas em seu relato. Cabe ao leitor conjecturar sobre o seu significado do conteúdo, a partir do contexto textual e histórico.

Enquanto gênero textual, o relato de viagem (em francês récit de voyage) admite o uso de tempos verbais como o presente do indicativo e o pretérito perfeito, seja concomitantemente ou em alternância para contar fatos pontuais. Esse gênero admite também o uso do pretérito imperfeito para descrever fatos circunstanciais. Do mesmo modo, em língua francesa o gênero récit de voyage permite igualmente o uso do presente (présent), do pretérito perfeito (passé composé e passé simple) e do pretérito imperfeito (imparfait).

O que chama a atenção no caderno de notas de Taunay é o uso alternado do presente e dos dois tipos de pretérito perfeito, sem que haja uma explicação evidente para essa escolha. Alternar presente e pretérito em uma narrativa é um comum no gênero do récit de voyage, contudo, é curioso como Taunay alterna os dois tipos de pretérito perfeito que há em francês, o passé composé e o passé simple. Essa escolha torna-se ligeiramente mais curiosa aos olhos do leitor considerando as distinções entre o passé composé e o passé simple. Segundo o linguista Émile Benveniste, a principal grande diferença entre esses dois tipos de passado é que o passé composé está ancorado à situação de enunciação e, por isso, temporalmente mais próximo do interlocutor e do fato narrado, enquanto o passé simple conta com um distanciamento temporal tanto do fato narrado como do interlocutor. Essa diferença é observada, em língua francesa, no uso que se faz desses dois tempos verbais: enquanto o passé composé faz parte do registro cotidiano da língua (nas interações, na imprensa, etc), o passé simple pertence sobretudo ao registro escrito (como os grandes romances do século XIX, por exemplo).

Outra curiosidade que se observa na escrita de Taunay é no uso do passé composé pois ele foge do parâmetro sintático da língua francesa para esse tempo verbal. Por definição, uma oração no passé composé é composta por [sujeito] + [verbo auxiliar no presente] + [verbo principal no particípio passado] + [complemento] (se houver). Em diversas ocorrências, Taunay escreve apenas o verbo principal, omitindo tanto o sujeito como o verbo auxiliar, a exemplo do trecho [je suis] parti de bonne heure.
Logo na entrada de 18 de junho de 1824 (página 4 do Caderno de notas) é possível encontrar ocorrências desses três tempos verbais: je m’embarquai pour Praia Grande (passé simple); couché à Praia Grande (passé composé); nous aperçûmes plusieurs bateaux (passé simple); nous arrivons à la nuit (présent).

A tradutora buscou acompanhar a realidade material do manuscrito, com suas rasuras, lacunas, quebras de linha, pontuação, letras maiúsculas e minúsculas. Quando havia palavras com apenas algumas letras, procedemos de duas maneiras: quando era possível deduzir o termo, procuramos “traduzi-lo”. Assim, “[..]a[.]lle de riz”, aparecerá na tradução como “[..]a[.]lha de arroz”. Quando nenhuma palavra podia ser identificada, foram mantidas as letras originais; assim “[..]ul registre d’en bas” se tornou “[..]ul registro debaixo”. Nas páginas em que havia muitas lacunas, e em que não era possível deduzir em que sentido certo termo devia ser traduzido, optou-se por deixá-lo no original.

Procurou-se também manter a ordem sintática das frases de Adrien Taunay, realizando mudanças apenas quando frase na ordem original se mostraria incompreensível em português.

Desse modo, a edição realizada foi de caráter conservador, mantendo o texto tal como fora apresentado pelo autor;  respeitando a grafia original das palavras, a pontuação ou a ausência dela, a disposição das palavras na página feita linha à linha, ou seja, justalinear. Constam como elementos do aparato crítico:

[ ] : ilegível

[……] : ilegível com estimativa do número de letras

[nao] : leitura feita, mas ainda um pouco duvidosa (a ler com cautela)

(e2l) : entre duas linhas, acrescentado.

(sic) : escrito assim no original

Usou-se o modo negrito e itálico quando foram acrescidos elementos que não estavam no texto.

realização:
IHF Museu Paulista
parceria:
USP IFUSP - Instituto de Física da USP NAP - FAEPH